eu me rendi aos vícios sem ter tido tempo de controlar meus instintos e evitar me machucar pela frustração que é viver. Eu me rendi a pecados, me prendi em luxúria pura sem ter buscado outros estímulos que não fossem um prazer finito, indistinto.
rasguei vários risos e cansei por mantê-los no rosto por tanto tempo, sem me sentir feliz. Quis ser intenso e provar do gosto da felicidade uma vez e talvez por isso ainda doa minhas bochechas quando genuinamente preciso sorrir.
fugir de mim pareceu fazer sentido no momento que ter companhia era a única opção sã a se escolher. Eu faço de conta que não existe a solução e muito em vão eu busco uma saída, mas acabo me recortando, me reconfigurando tentando parecer ser o único aqui.
beber descompassado parecia mais interessante quando criança, hoje é como um calmante nos dias que não tenho confiança em mim mesmo e preciso de um jeito de encarnar sem mostrar que sou vulnerável, sem tanta importância.
era mais legal as cores de antigamente. Era mais saboroso o tempero da comida e mais divertido molhar o rosto nos dias de chuva. Hoje só não é mais cinza por causa das cores do dia que se misturam com minha visão turva, a comida se tornou pouca e nem me importo tanto assim com o sabor; se chove lá fora eu tranco a porta e espero ela passar, já que tenho pavor de molhar a roupa.
cada ano é mais um ano e menos um que tenho guardado. Contra minha vontade mesmo é ter que viver por tanto e ainda sim sentir que não existe mais o que ver e mais cansado eu fico de saber que o amanhã só existe, se eu buscar um motivo pra querer contemplar o dia amanhecer.
eu só existo ainda com uma certeza que eu guardo de que no futuro serei diferente. Largo tudo que for possível pra ter a vida que eu sempre quis pra mim, pra gente. Pela minha lente eu tento enxergar algo que me motive por aqui e se não for assim lá na frente, de 8 bilhões de pessoas no mundo, mais uma irá se arrepender de viver entre tanta gente.
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Author:
Éclio (Pseudonym) (
Offline) - Published: September 2nd, 2026 08:41
- Category: Reflection
- Views: 7

Offline)
Comments1
There is a smothering to the end of this poem. All the while building up to it with feeling of uselessness and just awaiting death. It is nicely written
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